• Comentários: 0
  • 26 November 2014 13:41
  • em Jeunesse
  • por kadupimentel
  • Visitas: 1857
  • Última modificação: 27 November 2014 13:59
  • (Votos 5.0/5 Estrelas) Total de votos: 5

A ÉTICA NAS VENDAS DIRETAS

24 5
Penso que o atual momento pede para que nós, que trabalhamos no segmento das Vendas Diretas, debrucemo-nos sobre um assunto importante: a ética na nossa atividade.

Ser ético, na minha concepção e de diversas correntes filosóficas, é ter conduta, atitudes e comportamento coerentes, de acordo com valores que são reconhecidos como obrigatórios pela sociedade. Matar alguém, além de ilícito, é antiético. Ser mal educado com alguém não é ilegal, mas é imoral e é antiético.

Sua ética será posta à prova diariamente e, no mundo dos negócios, sempre que se deparar com situações que exijam seu posicionamento entre: resultado vs antiética. Que, em detrimento de alguns valores, você pode ter vantagens para atingir a meta obstinada, o lucro almejado, o reconhecimento desejado ou a vitória, a duras penas, perseguida.

O fato é que você não precisa ser antiético para ter resultado e que você também não precisa ter resultado para ser ético.

Este artigo vem em boa hora, pois penso que estamos vivendo um momento crítico no mercado de vendas diretas (principalmente em multinível) de descarada prostituição, de subvalorização de princípios que deveriam nortear as relações humanas e profissionais, de imoralidades que mancham ainda mais a imagem da nossa atividade perante a população e seus operadores, tudo respaldado ou justificado por uma vã, fútil e ignorante alegação de "profissionalismo".

Este mercado está cada vez mais competitivo, o que é bom! A cada dia que passa, novas empresas sérias passam por bons momentos, surgem ou migram para o modelo de distribuição das vendas diretas. Algumas se destacam, "incomodam" e chamam a atenção de distribuidores de outras empresas, o que acaba fazendo com que alguns distribuidores que se encantam ou identificam por outros projetos, outras filosofias, outros produtos e, normalmente, em fases de crise pessoal e do seu próprio negócio, troquem de empresa.

Aqui abro um parêntese para a primeira análise.

Antes de mais nada, importante dizer que: (i) cada caso é um caso e, por isso, merecem uma atenção e uma análise individualizada; (ii) todos são livres para fazerem o que bem entenderem e a discussão aqui não é sobre o que pode ou não pode ser feito, mas sobre ética e (iii) como de costume, respeito opiniões divergentes, mas tenho a minha solidificada.

A troca de empresa no mercado de vendas diretas é encarada por muitos com naturalidade. É costumeiro ouvirmos algo parecido com "Isso é normal""Pessoas entram e saem todos os dias", ou "Desistir faz parte da vida", o que, dependendo do ponto vista, possui uma dose de verdade. O que me deixa indignado é a justificativa mais utilizada para o troca-troca de empresas: "Sou um profissional! Tenho que analisar o que é melhor pra mim e para a minha equipe no mercado. Funcionários, até gerentes, diretores, não trocam de empresas todos os dias!? Então...!".

Mas é, realmente, normal? É natural? É pra ser corriqueiro? O conceito de "profissional" dentro do nosso mercado é este que as pessoas imaginam? Penso que não.

Para responder a essas perguntas é fundamental conhecer a indústria para que não se deixe levar por promessas ilusórias e não tome decisões precipitadas. Conhecer os players, os produtos, a estrutura oferecida, a missão, visão, valores... Separar empresas de aventuras. Existem empresas incríveis no mercado e que você pode sim, se identificar com uma ou com várias. Mas acima de tudo, temos que entender que todas possuem dificuldades, que todas terão momentos bons e não tão bons e que, se for uma empresa com uma capacitada gestão, os momentos ruins vão passar e as dificuldades serão saneadas. Estas sim são premissas verdadeiras no mundo das vendas diretas.

Deste modo, eu acredito que o conceito de ser profissional no nosso ramo está banalizado. É bem diferente do conceito de ser profissional no funcionalismo privado. A função de um empregado e a função de um distribuidor independente são completamente distintas.

Um distribuidor, ao contrário de um funcionário, é a "ponta da lança" da empresa que representa. É a cara e o coração da empresa. É quem vende os produtos, posiciona-os no mercado, veste literalmente a camisa. É quem intermedeia a relação consumidor-empresa, quem resolve problemas e oferece soluções. É quem afirma para um prospecto que é a melhor empresa do mundo, que é feliz, que escolheu fazer parte e que mudou de vida. Mas, sobretudo, é quem sobe no palco, demonstra paixão, mexe com o brio, com os sonhos e com os sentimentos mais genuínos das pessoas envolvidas. Quem desperta as mais diversas emoções adormecidas nas pessoas que vislumbram um futuro melhor.

Assim, no meu modo de ver as coisas, um profissional, um verdadeiro LÍDER, é aquele que ESCOLHE a empresa que mais se identifica e passa, lado a lado dela, pelos momentos de glórias e de desafios, veste a camisa e busca melhorar, encara os fatos, não negligencia as dificuldades e mantem-se íntegro e fiel nas adversidades, pois sabemos que em uma empresa séria e estruturada do nosso segmento, as fases vêm e vão. Nosso mercado é assim.

É aquele que se aperfeiçoa nas habilidades necessárias para desenvolver seu negócio, sabendo que seu sucesso depende dele. Que dentre as boas empresas existentes no mercado, sua escolha será pela identificação pessoal, mas que suas realizações aparecerão apenas se você fizer por merecer, independente da empresa que representa. É mérito, e não sorte.

Se considerarmos apenas as empresas sérias do mercado, eu posso afirmar que seus produtos são incríveis, os planos de remuneração são ótimos, as estruturas oferecidas são de primeira linha... algumas com vantagens em um ponto, outras em outro, mas o resultado final é muito positivo... Escolha com qual se identifica e mãos à obra! Por que não é mudando de empresa que você muda a si próprio. Se você não teve sucesso (ou não se manteve nele) em uma empresa, não é migrando pra outra, e pra outra, e pra outra, que ele vai bater à sua porta.

O profissional entende que a busca é pelo ser, e não pelo ter.

Um profissional está longe de ser quem, do dia pra noite, muda em busca de uma oportunidade "melhor" como se aquilo que representasse a dias atrás não fosse mais o que dizia ser. Isso não é oportunidade, mas oportunismo.

O distribuidor tem responsabilidade por aquilo que diz e por aquilo que faz. Responsabilidade que interfere, direta ou indiretamente, na sua imagem, na sua honra e na sua reputação. Engana-se quem pensa que as cifras que recebe são mais importantes que seu nome nos negócios. 

Mas, então, trocar de empresa é antiético? Não! Em hipótese alguma! Muitas decisões são legítimas! Depende o que te moveu a tomar essa decisão. Se o que te moveu foi a completa falta de identificação com a empresa, produtos, filosofia, não faz sentido continuar fazendo aquilo que não te agrada e que não acredita! Mas se o que te moveu foi sair de um momento crítico na empresa "x" para aproveitar um momento épico em uma empresa "y" em busca de resultados, ignorando sua história, suas promessas, suas palavras e atitudes recentes, pode não ser ilegal, pode não ser proibido, pode até ser permitido, mas sim, é antiético.

A curto prazo pode ser atrativo... mas, e aí? Se não der certo, se o momento bom passar, ou se você não fizer por merecer, muda-se de novo? E de novo? E de novo...?

Isso tudo, ainda, sem levar em consideração a "compra de passe" que, a cada dia, é mais comum entre as empresas. Empresas que pagam milhares, até milhões de reais, pela migração de um líder ativo em uma determinada empresa para o seu quadro de distribuidores. Como eu disse, isso pode até fazer parte do jogo, mas passa longe de ser ético.

Continuando...

Portanto, a mudança de empresas feita por líderes acontece por inúmeros motivos, alguns justificáveis outros meramente explicáveis (e antiéticos). Todavia, se não bastasse essa situação, ainda temos visto no mercado distribuidores que, migrando ou não, convidam direta ou indiretamente, distribuidores de outras empresas para seguirem seu caminho.

Este convite, direto ou indireto, tem nome: aliciamento.

Alguns, descaradamente, ligam, mandam mensagens, tentam convencer o distribuidor que a sua empresa é melhor. Aqueles que migraram normalmente apontam os desafios da empresa anterior ao invés dos méritos da nova, como se a "nova" fosse perfeita e a "velha" não servisse mais. Estes mereciam duras punições!

Outros, fazem vídeos, áudios, posts nas redes sociais, explicando os motivos, agradecendo os tempos vividos, sorrindo, felizes... e abalando a crença de quem está focado na, hoje, empresa "velha", que um dia já foi "nova"... na, hoje, empresa "ruim" que um dia já foi "a melhor".

Por mais que a sua escolha por uma empresa seja legítima, as decisões pessoais são pessoais, oras! Se são pessoais, por que expô-las? Não sou evoluído ao ponto de enxergar que estas atitudes não têm absolutamente nenhuma intenção de recrutar distribuidores de empresas concorrentes para a nova empresa, nenhuma gota de ganância envolvida, por isso interpreto-as como práticas baixas e extremamente antiéticas. Novamente nos deparamos com o resultado imediato se sobrepondo aos valores.

Um líder, um profissional, influencia outras pessoas positiva e negativamente. Quer pelo seu sucesso, pelo seu caráter, pela sua história, pelo seu carisma, postura, ou pela sua persuasão e, também, pelas suas decisões. E aí, novamente surge a palavra responsabilidade. Por isso, zele pelo seu bom nome!

Vale dizer que, se você for um bom líder, pessoas vão te seguir sem que você precise perder a dignidade indo atrás delas.

A maioria das empresas proíbem a prática de aliciamento em seus contratos. Ou seja, além de antiética, imoral, é ilegal. Se isso trará consequências jurídicas vai depender das empresas que se sintam prejudicadas, mas nós, como líderes, temos a obrigação de doutrinar nossa equipe!

Líderes e empresas têm o dever de educar o mercado e criar uma geração de distribuidores que respeitem os concorrentes. Que respeitem os sonhos das pessoas! Que deem valor e tenham responsabilidade por aquilo que pregam. Que, se algum dia, desistirem ou forem pra outra empresa, que o façam de cabeça erguida e que mantenham as portas abertas para um possível retorno.

Os distribuidores das empresas de vendas diretas do Brasil devem entender que o mercado é abundante! Que existem milhões de consumidores à espera do seu produto e milhões de pessoas em busca da sua oportunidade! Deixemos que os vizinhos floresçam seus jardins, parabenizemo-os pelas conquistas e trabalhemos para também construir um belo jardim pegando sementes da natureza e não roubando mudas.

Se nós, distribuidores, não tomarmos essa decisão de construirmos um mercado saudável, de criarmos uma competição justa e respeitosa, muitos continuarão correndo atrás do próprio rabo a vida inteira e nunca teremos, verdadeiramente, empresas sólidas e um mercado aberto e sedento pelo nosso modelo de negócios tão incrível, justo e revolucionário.

Posso ser considerado careta por este artigo... mas antes careta do que antiético.

Sucesso e bons negócios!
Compartilhar
  • Twitter
  • del.icio.us
  • Digg
  • Facebook
  • Technorati
  • Reddit
  • Yahoo Buzz
  • StumbleUpon

Nenhum comentário...

Comentar

Nome:: Esse campo é requerido.
Endereço de email: Esse campo é requerido. Não visível
Website::
Captcha:: Esse campo é requerido.
Comentário: Esse campo é requerido.